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A ENSP participou do debate público Mineração de Urânio em Caetité: Riscos, Saúde e Ambiente, promovido pela Comissão Paroquial de Meio Ambiente de Caetité (CPMA). Na ocasião, foi lançado o relatório Justiça Ambiental e Mineração de Urânio em Caetité/BA: Avaliação Crítica da Gestão Ambiental e dos Impactos à Saúde Pública da População, trabalho conjunto realizado pela Escola e pelo laboratório francês da Comissão de Pesquisa e Informação Independente sobre Radioatividade (CRIIRAD), fruto de uma parceria iniciada em 2011 no âmbito do projeto internacional Ejolt.

Ainda não é possível contabilizar o número de vítimas de um dos maiores desastres da história do país, desde que, na sexta-feira, 25 de janeiro, a barragem 1 da mineradora Vale destruiu a região conhecida como Vila Ferteco, zona rural do município de Brumadinho, Minas Gerais. A tragédia humana é incalculável e as perdas são irreparáveis.

O Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador Ecologia Humana (Cesteh/ENSP/Fiocruz) convida para a webconferência sobre “Megamineração no Brasil e a Saúde do Trabalhador”, que ocorrerá no dia 16 de julho de 2019, das 14 às 16 horas (horário de Brasília-DF).

Em pouco mais de três anos, o Brasil vivenciou os dois maiores desastres do mundo envolvendo barragens de mineração desde os anos 1960. O primeiro, em novembro de 2015, tendo origem na barragem de Fundão, em Mariana (MG), da mineradora Samarco, uma empresa joint-venture da companhia Vale S.A e da anglo-australiana BHP-Billiton. Foi o maior desastre em termos de quantidade de material lançado no meio ambiente e de extensão territorial (650 kms) dos danos humanos e ambientais, atingindo 31 municípios em Minas e três no Espírito Santo, impactando a Bacia do Rio Doce.

Na entrevista concedida ao Informe ENSP por Marcelo Firpo, pesquisador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador (Cesteh/ENSP), e Renan Finamore, doutorando da ENSP e pesquisador do projeto Environmental Justice Organisations, Liabilities and Trade (EJOLT), eles explicaram como acontece a contaminação por urânio e os riscos da mineração do urânio para os trabalhadores e a população que reside no entorno das mineradoras, inclusive dos casos suspeitos de câncer.

O Brasil é um dos maiores produtores de minério do mundo. Esta produção correspondeu a 20% das exportações nacionais em 2014, quando empregava 301.964 trabalhadores, grande parte em empresas de extração de carvão e minerais não metálicos (47,5%)¹.

O pesquisador Celso Salim, da Fundacentro – entidade de pesquisa ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego –, afirmou há pouco que a mineração é o quarto setor da economia com mais acidentes de trabalho no País e o segundo em taxa de mortalidade por acidente de trabalho. Ele participa de audiência pública conjunta das comissões de Legislação Participativa; e de Direitos Humanos e Minoria sobre as condições de saúde e segurança da mineração brasileira.

A segunda edição do Boletim Informativo do Observatório de Saúde do Trabalhador de Belo Horizonte (Osat-BH) destaca a temática saúde mental e trabalho.

O informativo apresenta discussões que envolvem o transtorno de estresse pós-traumático e o aumento dos fatores de risco psicológicos e sociais por causa das mudanças de condição de trabalho.

O boletim também conta com uma entrevista com o psiquiatra e pesquisador Jackson Sampaio, reitor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), e aborda, ainda, a estigmatização do adoecimento mental no trabalho.

Consequências a curto, médio e longo prazos do desastre da companhia Vale, em Brumadinho, são o principal foco da entrevista coletiva concedida pelo pesquisador Christovam Barcellos no dia 5 de fevereiro, durante evento sobre o tema organizado pela Ensp, Icict e Presidência da Fiocruz com o apoio do IOC e realizado no Campus Manguinhos.

Brumadinho trouxe a sensação de farsa e tragédia anunciada. Todos perguntam: como pode esse absurdo acontecer novamente? Passados mais de três anos de Mariana, os fantasmas da mineração batem à porta de nossa memória abissal. Ela que forja o esquecimento da falsa paz sem voz na poltrona de domingo, como cantava Marcelo Yuka. São muitos os corpos mortos mutilados, alguns desaparecidos para sempre, tal como o Pico do Cauê que nos fala Drummond de sua Itabira. O poeta ensinava: o tempo só volta no mundo da imaginação.