Você está aqui

Subjetividade e Trabalho

Contudo, este mesmo progresso não é observado em outros indicadores. Entre eles, especificamente em relação à saúde dos trabalhadores, estudos localizados evidenciam ocorrência elevada de acidentes de trabalho nos serviços de saúde, adoecimento mental, absenteísmodoença, queixas de dores musculoesqueléticas e insatisfação dos profissionais do SUS. 

Tem-se como pressuposto que o processo de transformação do sofrimento em adoecimento, na gestão do trabalho, está relacionado não apenas com a produção e reprodução de discursos originários da medicina científica, mas também com um conjunto de práticas sustentadas, na atualidade, pela medicina ocupacional. Partindo da diferenciação conceitual entre sofrimento, dor e adoecimento, buscou-se na literatura e em entrevistas com trabalhadores e gestores elementos para demonstrar a existência deste processo. Constatou-se uma tentativa de silenciamento do sofrimento e uma cultura da promoção do adoecimento no espaço da empresa, envolvendo trabalhadores, profissionais da saúde e os gestores com a cumplicidade de famílias de trabalhadores identificados como pacientes. No entanto, alguns casos oferecem resistência ao processo, constituindo um verdadeiro movimento do contra-adoecimento. Conclui-se que, nesses dois séculos de "medicina científica", embora houvesse desejo de mudança, renovação das práticas e investimentos das mais diversas ordens, atos iatrogênicos e violências foram e são cometidos ainda em nome da ciência, da saúde e do bem-estar dos trabalhadores.

IHU Online, Edição 416

Editorial

As novas configurações do mundo do trabalho, seus impactos na vida dos trabalhadores e das trabalhadoras e seus desafios para a organização e a luta da classe trabalhadora, hoje, é o tema em discussão na revista IHU On-Line desta semana.

O volume 18, número 3 da revista  Ciência e Saúde Coletiva trata de um tema que vem sendo explorado há alguns anos pelo Centro Latino-Americano de Estudos de Violência Jorge Carelli (Claves/ENSP): as condições de vida, saúde e trabalho dos profissionais de segurança pública. O editorial da publicação, assinado pela pesquisadora Edinilsa Ramos, aborda a saúde dos profissionais de segurança pública. A atual edição traz um debate com a coordenadora do Claves e editora da revista, Cecília Minayo, e mais de cinco artigos temáticos que abordam diversos aspectos do tema, entre eles: trabalho, estresse, sofrimento psíquico, percepção de risco e consumo de substâncias ilícitas.
 

“Saúde, Trabalho e Subjetividade: o ponto de vista da atividade” será o tema do próximo curso livre de curta duração oferecido pelo Cesteh. A atividade terá duração de 30 horas e será realizada entre os dias 07 e 10/10 para profissionais e estudantes com nível superior completo e conhecimentos anteriores em sobre saúde trabalho e ambiente.

O Cesteh/Ensp está oferecendo do dia 10 a 14 de novembro, das 9h às 17h, na sala 32, o Curso de curta duração "Saúde, trabalho e subjetividade: ferramentas para a reflexão-ação em gestão do trabalho". As inscrições estarão abertas a partir do dia 01 e vão até o dia 10 de outubro na página: https://www.e-inscricao.com/cesteh/stsgt