Rede de Pesquisa em Saúde do Trabalhador

A Rede de Pesquisa em Saúde do Trabalhador congrega trabalhadores, profissionais de saúde, estudantes, professores e pesquisadores de diversas instituições (Fiocruz, Fundacentro, Universidades, CEREST, ABET, entre outras) e representantes sindicais. Constitui uma iniciativa de caráter nacional e multicêntrico. A Rede foi lançada em uma Oficina realizada em novembro de 2016, no Rio de Janeiro, na Escola Nacional de Saúde Pública – ENSP, Fiocruz. 

O objetivo geral da Rede de Pesquisa em Saúde do Trabalhador é a produção do conhecimento-intervenção em saúde entre trabalhadores, profissionais dos serviços, estudantes e pesquisadores.

A construção de conhecimento e intervenção em saúde do trabalhador possui natureza complexa; marcada por relações contraditórias entre capital e trabalho e por relações entre conhecimentos científicos e não científicos ou práticos (trabalhador, técnico, jurídico, artístico, entre outros) na caracterização dos processos saúde-doença em sua relação com o trabalho.

Um dos pressupostos da Rede de Pesquisa em Saúde do Trabalhador é a construção do conhecimento com os trabalhadores, ou seja, a valorização das experiências dos trabalhadores e organizações sindicais nas lutas e enfrentamento de problemas reais para a produção de conhecimento e intervenção em saúde, no sentido da articulação entre pesquisa, ensino, trabalhadores e serviços. Trata-se de pesquisa engajada, na interface das relações entre as esferas da ciência/técnica e da política.

Isto porque as experiências dos trabalhadores implicam a construção de um conhecimento pautado no enfrentamento das desigualdades sociais enraizadas nos modos de produção vigente na sociedade, um conhecimento caracterizado por ser imediato e prático, um saber da experiência que contribui para (re)situar e (re)significar os problemas de saúde. O conhecimento prático dos trabalhadores apreendido em suas lutas é também condição para entender e avaliar a emergência e o andamento das dos sistemas de proteção social e das políticas públicas inclusive as de saúde e seus limites. Portanto, pensar a produção de conhecimento em saúde pressupõe ampliar a comunidade científica de modo a conviver e dialogar com os trabalhadores e os movimentos organizados. A construção de conhecimento entre trabalhadores, profissionais dos serviços e pesquisadores é uma das formas de defesa dos direitos sociais e de saúde inclusive do ponto de vista da produção de conhecimento.

Apontamos ainda o interesse em desenvolver iniciativas da incorporação de outras formas de produção de conhecimento em saúde, como a arte, bem como sua interface com formas de comunicação e linguagem com os trabalhadores e profissionais de saúde.

Consideramos a natureza processual e dinâmica da Rede de Pesquisa em Saúde do Trabalhador, que se propõe a desenvolver e promover ações, tais como:

  • Estruturar Projeto Integrado de Pesquisa nacional e multicêntrico; incorporando os seguintes eixos de pesquisa: a) modo de organização da produção e do trabalho; b) Processo saúde-doença; c) Políticas de proteção social; d) organização dos trabalhadores; e) Processo identitário, linguagem e comunicação em saúde do trabalhador;
  • Realizar cooperação técnico-científica de natureza multiprofissional e interinstitucional;
  • Atuar na formação profissional, acadêmica e não acadêmica, especialmente com projetos pedagógicos construídos em diálogo com os trabalhadores;
  • Construir espaços de Comunicação, linguagem e informações em saúde;
  • Dialogar com os trabalhadores e suas organizações sindicais;
  • Estabelecer espaços de colaboração com associações de natureza cientifica;