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Sul de Minas tem alto índice de câncer

A região Sul de Minas é um dos principais focos da incidência de câncer no Estado e apresenta taxas de mortalidade entre as mais altas do mundo. O diagnóstico considerado preocupante está relacionado com os teores de radiação da região e foi o principal tema do 1º Fórum de Vigilância dos Cânceres relacionados ao Meio Ambiente e a Ocupação do Planalto.

O evento está sendo realizado pela Secretaria Estadual de Saúde, em Poços de Calda, com o objetivo de discutir os resultados da última pesquisa realizada pelo governo para avaliar a evolução da doença.

Na pesquisa, o município de Poços de Caldas se destaca negativamente com uma grande concentração do número de mortes por cânceres hematológicos (relacionados ao sangue).

De acordo com os dados da secretaria, além da incidência dos cânceres hematológicos, a cidade apresenta excesso de óbitos por tumor de estômago, fígado e pulmão. Os dados usados na pesquisa foram baseados no número de óbitos por câncer em municípios e macro-regiões de Minas Gerais de 1998 a 2002.

No Sul de Minas, durante o período pesquisado, foram contabilizadas 647 mortes, entre homens e mulheres, para leucemias, linfomas (tumor de gânglios linfáticos) e mielomas (tumor formado por células da medula óssea).

Para a coordenadora do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer e seus Fatores de Risco, Berenice Navarro Antoniazzi, a radiação pode ser um dos fatores para explicar a alta incidência da doença na região Sul do Estado.

Radiação

"Poços de Caldas está situada em uma das maiores áreas de radiação natural do mundo, com a existência até de uma mina de urânio, região conhecida como o Planalto de Poços de Caldas", ressaltou Berenice.

Outro motivo apontado pela coordenadora é o uso excessivo de agrotóxicos nas lavouras de café e extração de madeira. No encontro, também estavam presentes a coordenadora de Saúde do Trabalhador, Jandira Maciel, o Instituto Nacional do Câncer e a Comissão Nacional de Energia Nuclear.

Hoje, os participantes irão apresentar propostas de prevenção ao câncer de meio ambiente e ocupação.

Fonte: O Tempo, 09/11/05