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Cesteh divulga manejo clínico de benzeno

No III Encontro Nacional de Vigilância em Saúde em Postos de Combustíveis, organizado pelo Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP), de 11 a 13 de setembro, no Rio de Janeiro, foi divulgada uma proposta de manejo clínico dos trabalhadores dos postos de combustíveis. Antônio Sérgio Almeida Fonseca, coordenador de serviços do Cesteh, participante da mesa-redonda sobre manejo clínico para os trabalhadores expostos ao benzeno, ocorrida no dia 12/9, apresentou os resultados dos estágios de risco pelos achados clínicos e hemograma de 115 trabalhadores avaliados pelo Cesteh, divididos em 4 grupos. Ele informou que se considera benzenismo quando a pessoa apresenta um conjunto de sinais e sintomas após exposição ao benzeno. De acordo com o Protocolo para Atenção à Saúde dos Trabalhadores Expostos ao Benzeno, o quadro clínico do benzenismo caracteriza-se por uma repercussão orgânica múltipla, em que o comprometimento da medula óssea é o componente mais frequente e significativo.

Fonseca detalhou a conduta clínica, tipos de demanda e o monitoramento necessário de cada grupo. O grupo 1 (12 pessoas) apresentou ausência de alterações significativas no exame laboratorial e entrevista clínica. Esses trabalhadores deverão ser encaminhados ao Cesteh para esclarecimentos de dúvidas, agendamento de avaliação audiológica e coleta de sangue e urina, para a determinação de marcadores específicos para exposição ao benzeno e pareamento do hemograma. Os exames laboratoriais devem ser realizados entre 1 e 2 anos.

No grupo 2 (31 pessoas), houve avaliação laboratorial com alterações inespecíficas; e a conduta clínica foi solicitar nova coleta laboratorial e verificar a persistência ou desaparecimento da alteração. Caso a alteração regrida, deve-se proceder como grupo 1. Se a alteração permanecer ou surgirem novas alterações, será classificado como grupo 3 ou 4, de acordo com o tipo de alteração existente. Para o monitoramento, deve-se repetir o exame o mais rápido possível e definir a periodicidade de acordo com a nova classificação de grupo.

O grupo 3 (40 pessoas) teve alterações clínicas detectadas na entrevista com ou sem alterações laboratoriais. Portanto, deve ser feita a avaliação clínica e a verificação da possibilidade de existência de comorbidades e necessidade de novos exames complementares e pareceres de outras clínicas, além de analisar a presença de relação com o trabalho. O monitoramento deve agendar atendimento no ambulatório do Cesteh com a maior brevidade possível.

O grupo 4 (32 pessoas) apresentou alterações clínicas e/ou laboratoriais no hemograma que podem ser relacionadas ao benzenismo, por isso deve ter prioridade absoluta para o atendimento. A conduta recomenda avaliar clinicamente e identificar a relação com o trabalho. Caso confirmado, é preciso notificar e afastar de imediato do trabalho, além de solicitar rotina de exames complementares do protocolo ministerial do benzenismo. São solicitadas avaliações neurotoxicológicas, audiológicas. Por conta do monitoramento, deve-se repetir hemograma de 15/15 dias até a obtenção de três amostras, caso não tenha amostras recentes no último ano, calculando a média ou a evolução de leucopenia progressiva. Caso a avaliação inicial seja indicativa de doença de medula óssea ou nas situações em que persistam as alterações, no tempo mínimo de 45 dias, serão realizadas biópsia de medula óssea e mielograma.

Fonseca esclareceu que, na análise de séries históricas consolidadas com grandes períodos de acompanhamento, deve ser considerado o patamar pré-exposição ou o mais próximo possível desse período. Além disso, disse ele, deve-se observar as mudanças tecnológicas nas técnicas dos exames e a hora das coletas.

Segundo Fonseca, não existe tratamento medicamentoso específico para os casos de intoxicação pelo benzeno. “O acompanhamento médico para os casos confirmados de intoxicação deve ser regular e de longo prazo. As intercorrências clínicas devem ser tratadas com precocidade. As perturbações de ordem psíquicas e sociais causadas aos indivíduos devem merecer atenção especializada em programas de saúde integrados sob o enfoque do trabalho”, concluiu.

Fonte: Informe ENSP, 18/09/2013